Coisa de quinta
Na superficialidade do mundo atual, as pessoas acham que sinceridade é coisa de quinta…
Na superficialidade do mundo atual, as pessoas acham que sinceridade é coisa de quinta…
“Quando ela chora
Não sei se é dos olhos para fora
Não sei do que ri
Eu não sei se ela agora
Está fora de si.”
Cansei… cansei de ser assim. Cansei do otimismo, enjoei do realismo.
Vacilei. Passei da hora, perdi a viagem. Afoguei, sufoquei.
Respirei, continuei.
Tudo isso em longas horas e ninguém notou. Invisível era eu naquele pedaço de mundo. Ou melhor, pedaço de fim de mundo.
Saí, sobrevivi.
Agora vou dormir.
E amanhã tem mais, dessa lenta dose nociva de faz-de-conta de levar a vida.
Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
Eu não vou mudar não
Eu vou ficar são
Mesmo se for só
não vou ceder
Deus vai dar aval sim,
o mal vai ter fim
e no final assim calado
eu sei que vou ser coroado rei de mim
*trecho da música De onde vem a calma, do Los Hermanos
Aaah, essas linguagens computacionais! Teimam em não me obedecer…
São com PUTA cionais.
- Mestre, como faço para me tornar um sábio?
- Boas escolhas.
- Mas como fazer boas escolhas?
- Experiência.
- E como adquirir experiência, mestre?
- Más escolhas.
fonte: http://www.textos.vadiando.com/
* * *
Eu vivo tentando explicar a importância de ir ao cinema e ver um filme ruim, de pegar um atalho e perder-se, de não estudar as regras do jogo, enfim, de uma má escolha qualquer.
Resolvedora de pepinos
- Alô.
- Oi.
- Eu tenho um pepino para ser resolvido.
- Sim. Qual o tamanho e tempo hábil disponível?
- Ah, tem quase um metro e precisa de solução pra ontem.
- Bom, nesse caso terei que cobrar honorários extras.
- Como??
- Isso mesmo. Para cobrir as despesas com calmantes, moderadores de humor e antiácidos estomacais.
- Ahhh! Por isso então os extras?
- É.
- Esquece. Eu não vou pagá-los. Você que se vire sem os extras, afinal se não pegar esse pepino você vai ter que gastar com os medicamentos da mesma forma… Por causa das contas todas que vão atrasar… MUAHAUAHUAHUA
- Ok, eu resolvo. Ao menos vou ter uns trocos para os laxantes… E toda vez que for ao banheiro vou me lembrar de você. Cagada por cagada, a de necessidade fisiológica (mal) paga sempre é uma satisfação.
"Eu gosto do impossível, tenho medo do provável, dou risada do ridículo e choro porque tenho vontade, mas nem sempre tenho motivo. Tenho um sorriso confiante que as vezes não demonstra o tanto de insegurança por trás dele. Sou inconstante e talvez imprevisível. Não gosto de rotina. Eu amo de verdade aqueles pra quem eu digo isso, e me irrito de forma inexplicável quando não botam fé nas minhas palavras. Nem sempre coloco em prática aquilo que eu julgo certo. São poucas as pessoas pra quem eu me explico."
(me derretendo pela poesia de Quintana num fim de quarta-feira)
* * *
Presença
É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos…
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo…
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida…
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato…
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.
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