Sad Clown
Tal qual o palhaço,
vive também o poeta
Dois artistas da vida
que fazem sorrir e sonhar
E muitas vezes, atrás do sorriso
e dos sonhos, chora sua alma
(trecho de Palhaço, de Thais S. Francisco)
Tal qual o palhaço,
vive também o poeta
Dois artistas da vida
que fazem sorrir e sonhar
E muitas vezes, atrás do sorriso
e dos sonhos, chora sua alma
(trecho de Palhaço, de Thais S. Francisco)
Não sei o que, mas saiu…
Gostei bastante do começo e quase nada do final. rs
* * *
Hoje fui às compras
Mercado cheio. Confere lista. Economiza. Seção de limpeza. Depois a de comida. Carrinho enchendo para casa de pessoa uma. Mulher.
Carrinho pesa. Empurro-o com a dificuldade de quem empurra com a barriga a falta de uma mão. Sensação de solidão.
Vou ao caixa. Esvazio o carrinho, pago a conta, encho as sacolas e coloco-as no porta-malas do carro. Mais uma. Vazia. Pra carregar a melancolia.
Chegando ao prédio solicito ajuda ao porteiro, que não pode abandonar seu posto. A caixa de leite pesa. A alma carrega.
Guardo tudo, organizadamente. Preparo meu almoço. Sirvo-me e mato a fome. E para sair da mesmice uma vontade me consome.
A geléia… Atacar o vidro que acabara de comprar. Forço a tampa para um lado e para o outro. Nada. Uso a faca. Consigo. Esbaldo-me para tentar encher o vão. Não do estômago, e sim do âmago.
Deito no sofá. Escuto música. Pego no sono. E o sonho é de união. Libertária. Onde dois assim o são porque querem e não por obrigação.
Estar só ou não é mais do que questão de ter uma mão. (Para as compras ou para carregar o peso ou para abrir a tampa). É junção, soma, sem anulação.
Mês que vem vou novamente às compras. Sozinha. Decidida. Mas não submetida.
Ontem, quase fim de expediente, fui pega por essa música que não saiu mais de mim… Cada verso fluindo aqui.
* * *
Casa No Campo
(Zé Rodrix e Tavito)
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
E um filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
e nada mais
Motivo da Rosa
Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.
"O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher."
Hoje eu acordei sem entender porque. Acordei por acordar. Assim sem uma razão aparente. Eu só acordei, pronto. Foi o suficiente para perceber que eu não sei o porquê desse relógio ao lado da cama, desses papéis pra assinar, dessa louça pra lavar. Hoje eu chorei sem entender o porque. Chorei só por chorar. Assim sem um motivo plausível. Eu só chorei, ponto. Quando eu choro, o meu estômago chora junto comigo. Quando eu acordo, o meu medo abre os olhos e lamenta o dia seguinte. Só me resta ir ao banheiro e vomitar a solidão embrulhada aqui dentro. O espelho sorri do meu desespero e o telefone me lembra o quanto sou necessária ao mundo lá fora. Ele toca como se dissesse: "se toca". Sim, as pessoas precisam de mim. Até às 18h00. Depois disso, meu mundo silencia e só me resta fazer uma prece para que meu sono chegue logo e dure o tempo da eternidade. Ou, pelo menos, que dure até às 8h00 da manhã do dia seguinte. É quando acordo sem entender o porque. Acordo assim só por acordar. Sem razão aparente ou motivo plausível. Só pra vomitar a solidão mais um pouco, em pausas, entre um alô e outro. Mas, calma: "é só até às 18 horas", penso comigo.
Maíra Viana - Vergonha dos Pés* * *
Explicando a categoria
A idéia do nome dessa categoria veio do significado grego da palavra:
stëthos (peito) + skopeïn (ver; observar) + -io
Assim, após "observar o peito" do outro, coloco aqui textos, obras e poesias, de amigos, de jovens artistas e de desconhecidos. Obras que encontrei navegando por ai ou que me foram confiadas.
O post é resultado da observação, da identificação… do sentir e do pulsar do momento.
Observe o peito!
Não acreditei quando achei isso.
Sim! Reler, rever, revisitar… muito importante para mim. E eu que um dia pensei que isso era fruto ruim da ‘lerdeza’ que atribuiram a minha pessoa. Não sei porque ouvimos os idiotas… Mas para salvação, há pérolas dos sábios, como Nelson.
Acho que ler pouco, não. Porém reler, sempre.
* * *
"Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Conheci essa música por uma amiga que se lembra de mim ao ouví-la.
Carinhosamente ela me chama de "tradutora". =)
E como estou precisando desse carinho, dessa humanidade…
* * *
Braços Cruzados
(Pedro Luiz - Zélia Duncan)
Transe de violência
Vaidade demente
Guerras à nossa espreita
Restos à nossa frente
Que ferramenta
Eu uso pra viver?
Como é que eu faço
Pra ajudar você?
Desligo a TV
Pra que as crianças
Não achem normal
Todo dia matar , morrer
Mas sobre o futuro, o que eu vou dizer?
Alguém aqui acredita
Que não tem nada com isso?
Será que nada tem vínculo
Tudo é por acaso?
Mas quem é que joga os dados
Deus ou seus diabos?
Quem decide qual o lado abençoado?
Deus ou seus diabos?
Será que nenhum de vocês
Sabe falar português?
Então, em nome da nossa dor
Eu exijo um tradutor
Alguém de carne e osso
Alguém em quem se possa confiar um pouco
Eu quero menos abandono, mais cuidado
Cristo Redentor
Eu vi seus braços cruzados, tudo é ilusão
Ando pelas ruas tem de tudo, menos solução
Fecho os vidros, fecho a casa
Mas a alma não tem trinco, tá escancarada
Fecho a minha roupa, fecho a minha cara
Mas a alma não tem trinco
Nem defesa, nem nada.
Ouça!
(só consegui a música nessa extensão e qualidade)
"Desde Auschwitz nós sabemos do que os homens são capazes. E desde Hiroshima nós sabemos o que está em jogo."
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