August 30, 2006

Sad Clown

categoria: Estetoscópio
enviado por Jelly Legs Anita

    Tal qual o palhaço,
    vive também o poeta
    Dois artistas da vida
    que fazem sorrir e sonhar
    E muitas vezes, atrás do sorriso
    e dos sonhos, chora sua alma

(trecho de Palhaço, de Thais S.  Francisco)

August 29, 2006

Hoje fui às compras

categoria: Contrações
enviado por Jelly Legs Anita

Não sei o que, mas saiu…
Gostei bastante do começo e quase nada do final. rs

* * *

Hoje fui às compras

Mercado cheio. Confere lista. Economiza. Seção de limpeza. Depois a de comida. Carrinho enchendo para casa de pessoa uma. Mulher.

Carrinho pesa. Empurro-o com a dificuldade de quem empurra com a barriga a falta de uma mão. Sensação de solidão.

Vou ao caixa. Esvazio o carrinho, pago a conta, encho as sacolas e coloco-as no porta-malas do carro. Mais uma. Vazia. Pra carregar a melancolia.
 
Chegando ao prédio solicito ajuda ao porteiro, que não pode abandonar seu posto. A caixa de leite pesa. A alma carrega.

Guardo tudo, organizadamente. Preparo meu almoço. Sirvo-me e mato a fome. E para sair da mesmice uma vontade me consome.

A geléia… Atacar o vidro que acabara de comprar. Forço a tampa para um lado e para o outro. Nada. Uso a faca. Consigo. Esbaldo-me para tentar encher o vão. Não do estômago, e sim do âmago.

Deito no sofá. Escuto música. Pego no sono. E o sonho é de união. Libertária. Onde dois assim o são porque querem e não por obrigação.

Estar só ou não é mais do que questão de ter uma mão. (Para as compras ou para carregar o peso ou para abrir a tampa). É junção, soma, sem anulação.

Mês que vem vou novamente às compras. Sozinha. Decidida. Mas não submetida.

August 25, 2006

Casa no campo

categoria: Ausculte
enviado por Jelly Legs Anita

Ontem, quase fim de expediente, fui pega por essa música que não saiu mais de mim… Cada verso fluindo aqui.

* * *
Casa No Campo
(Zé Rodrix e Tavito)

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
E um filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
e nada mais

Ouça!

August 22, 2006

Motivo da rosa

categoria: Dilatações
enviado por Jelly Legs Anita

Motivo da Rosa

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.

E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

Cecília Meireles

August 16, 2006

Caminhando

categoria: Um sopro
enviado por Jelly Legs Anita

"O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher."

Cora Coralina

August 15, 2006

Dia após dia

categoria: Estetoscópio
enviado por Jelly Legs Anita

Hoje eu acordei sem entender porque. Acordei por acordar. Assim sem uma razão aparente. Eu só acordei, pronto. Foi o suficiente para perceber que eu não sei o porquê desse relógio ao lado da cama, desses papéis pra assinar, dessa louça pra lavar. Hoje eu chorei sem entender o porque. Chorei só por chorar. Assim sem um motivo plausível. Eu só chorei, ponto. Quando eu choro, o meu estômago chora junto comigo. Quando eu acordo, o meu medo abre os olhos e lamenta o dia seguinte. Só me resta ir ao banheiro e vomitar a solidão embrulhada aqui dentro. O espelho sorri do meu desespero e o telefone me lembra o quanto sou necessária ao mundo lá fora. Ele toca como se dissesse: "se toca". Sim, as pessoas precisam de mim. Até às 18h00. Depois disso, meu mundo silencia e só me resta fazer uma prece para que meu sono chegue logo e dure o tempo da eternidade. Ou, pelo menos, que dure até às 8h00 da manhã do dia seguinte. É quando acordo sem entender o porque. Acordo assim só por acordar. Sem razão aparente ou motivo plausível. Só pra vomitar a solidão mais um pouco, em pausas, entre um alô e outro. Mas, calma: "é só até às 18 horas", penso comigo.

Maíra Viana - Vergonha dos Pés
(publicado em 22/06/2006)

* * *

Explicando a categoria

A idéia do nome dessa categoria veio do significado grego da palavra:

stëthos (peito)  +  skopeïn (ver; observar)  +  -io

Assim, após "observar o peito" do outro, coloco aqui textos, obras e poesias, de amigos, de jovens artistas e de desconhecidos. Obras que encontrei navegando por ai ou que me foram confiadas.

O post é resultado da observação, da identificação… do sentir e do pulsar do momento.

Observe o peito!

August 14, 2006

Releituras

categoria: Dilatações
enviado por Jelly Legs Anita

Não acreditei quando achei isso.
Sim! Reler, rever, revisitar… muito importante para mim. E eu que um dia pensei que isso era fruto ruim da ‘lerdeza’ que atribuiram a minha pessoa. Não sei porque ouvimos os idiotas… Mas para salvação, há pérolas dos sábios, como Nelson.
Acho que ler pouco, não. Porém reler, sempre.

 * * *

"Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."

Nelson Rodrigues

August 7, 2006

Braços Cruzados

categoria: Ausculte
enviado por Jelly Legs Anita

Conheci essa música por uma amiga que se lembra de mim ao ouví-la.
Carinhosamente ela me chama de "tradutora".  =)
E como estou precisando desse carinho, dessa humanidade…

* * *

Braços Cruzados
(Pedro Luiz - Zélia Duncan)

Transe de violência
Vaidade demente
Guerras à nossa espreita
Restos à nossa frente
Que ferramenta

Eu uso pra viver?
Como é que eu faço
Pra ajudar você?
Desligo a TV
Pra que as crianças
Não achem normal
Todo dia matar , morrer
Mas sobre o futuro, o que eu vou dizer?
Alguém aqui acredita
Que não tem nada com isso?
Será que nada tem vínculo
Tudo é por acaso?
Mas quem é que joga os dados
Deus ou seus diabos?
Quem decide qual o lado abençoado?
Deus ou seus diabos?
Será que nenhum de vocês
Sabe falar português?
Então, em nome da nossa dor

Eu exijo um tradutor
Alguém de carne e osso
Alguém em quem se possa confiar um pouco
Eu quero menos abandono, mais cuidado
Cristo Redentor
Eu vi seus braços cruzados, tudo é ilusão
Ando pelas ruas tem de tudo, menos solução
Fecho os vidros, fecho a casa
Mas a alma não tem trinco, tá escancarada
Fecho a minha roupa, fecho a minha cara
Mas a alma não tem trinco
Nem defesa, nem nada.

Ouça!
(só consegui a música nessa extensão e qualidade)

August 2, 2006

Frankl

categoria: Um sopro
enviado por Jelly Legs Anita

"Desde Auschwitz nós sabemos do que os homens são capazes. E desde Hiroshima nós sabemos o que está em jogo."

Viktor Frankl

Quase nada

categoria: Contrações
enviado por Jelly Legs Anita

Cansaço
Calado
Caco

Isso é tudo
E acho pouco




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