Dia após dia
Hoje eu acordei sem entender porque. Acordei por acordar. Assim sem uma razão aparente. Eu só acordei, pronto. Foi o suficiente para perceber que eu não sei o porquê desse relógio ao lado da cama, desses papéis pra assinar, dessa louça pra lavar. Hoje eu chorei sem entender o porque. Chorei só por chorar. Assim sem um motivo plausível. Eu só chorei, ponto. Quando eu choro, o meu estômago chora junto comigo. Quando eu acordo, o meu medo abre os olhos e lamenta o dia seguinte. Só me resta ir ao banheiro e vomitar a solidão embrulhada aqui dentro. O espelho sorri do meu desespero e o telefone me lembra o quanto sou necessária ao mundo lá fora. Ele toca como se dissesse: "se toca". Sim, as pessoas precisam de mim. Até às 18h00. Depois disso, meu mundo silencia e só me resta fazer uma prece para que meu sono chegue logo e dure o tempo da eternidade. Ou, pelo menos, que dure até às 8h00 da manhã do dia seguinte. É quando acordo sem entender o porque. Acordo assim só por acordar. Sem razão aparente ou motivo plausível. Só pra vomitar a solidão mais um pouco, em pausas, entre um alô e outro. Mas, calma: "é só até às 18 horas", penso comigo.
Maíra Viana - Vergonha dos Pés(publicado em 22/06/2006)
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Explicando a categoria
A idéia do nome dessa categoria veio do significado grego da palavra:
stëthos (peito) + skopeïn (ver; observar) + -io
Assim, após "observar o peito" do outro, coloco aqui textos, obras e poesias, de amigos, de jovens artistas e de desconhecidos. Obras que encontrei navegando por ai ou que me foram confiadas.
O post é resultado da observação, da identificação… do sentir e do pulsar do momento.
Observe o peito!

Engraçado. Agora tocou uma musica cujo refrão era “We can live lifetimes in a single day…” E ai lembrei de outra coisa, um texto do próprio Teatro Mágico, De Ontem em Diante:
“De ontem em diante serei o que sou no instante agora
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa
Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho
Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho
Do versículo e da profecia
Quem surgiu primeiro? o antes, o outrora, a noite ou o dia?
Minha vida inteira é meu dia inteiro
Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro!
Minha mochila de lanches?
É minha marmita requentada em banho Maria!
Minha mamadeira de leite em pó
É cerveja gelada na padaria
Meu banho no tanque?
É lavar carro com mangueira
E se antes um pedaço de maçã
Hoje quero a fruta inteira
E da fruta tiro a polpa… da puta tiro a roupa
Da luta não me retiro
Me atiro do alto e que me atirem no peito
Da luta não me retiro…
Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem”
Comentário por M. — August 18, 2006 @ 10:45 pm
Este texto me cortou o coração… identificação e pessimismo… falta de uma luzinha colorida brilhando atrás das cortinas…
Amiga… naõ precisamos ser assim.. apesar de ter a idéia de q solidão machuca, corrói, dói … e essa sensação de não saber o pq… nossa… me senti dentro do texto… muito profundo, muito duro e cruel, porém real. Mas… sonhe amiga… e não perca as esperanças… um dia a gente acorda do pesadelo ou amadurece… tanto faz. t adoro demais. Bjs
Comentário por Denise — August 22, 2006 @ 10:28 pm