September 13, 2006

Torta, difusa, confusa… real

categoria: Estetoscópio
enviado por Jelly Legs Anita

Esse limiar contínuo entre a pérola bruta e a semente plantada.
Esse início de estrada, de suor, de alma manchada.
Essas gotas do tempo, que enfeitam de sangue a tela pintada.
Esse grito abafado no escuro, no futuro, na madrugada.

Nessa poesia torta e difusa.
Nesse "além da moral", nesse "nesse além das cores".
Eu rasgo as folhas que me compõe.
Eu transformo a pedra, numa escultura fria.
Eu verso no corpo, na covardia.
Nesse "além dessa ética", nesse "além da harmonia".
Nessa poesia-poeira, arrastada no vento…

Esse cortar aflito da carne e do tempo.
Esse arder embutido, nos vales e nos seios.
Essas seringas agudas para detectar veneno.
Esse sorriso confuso, no vértice da caminhada.

Nessa diretriz aberta e obscura
Nesse "além da razão", nesse "além da fratura".
Eu canto o trecho que meu caos impõe.
Eu mudo as regras trocando a melodia.
Eu bebo na fome, na alegria.

Pedro Henrique Samoza - Palavras sobre telas abstratas
(publicado em 04/03/2006)

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