Lições
Aprendendo lições
Domingo à tarde. Acordei. Chovia e simplesmente sorri… Sim, eu aprendi a gostar de dias chuvosos com alguém tão especial. Senti saudade e comecei a cantarolar: "Tua ausência fazendo silêncio em todo lugar". Porém silêncio também é bom! Era um bom começo, ainda mais para domingo que é um dia tão pregui… Interrupção.
Murmúrios, reclamações, xingamentos… "A chuva molhou toda a roupa que pendurei no varal", "A torneira quebrou","Nada mais funciona direito". Cara feia, mau humor. Realidade que está virando rotina… E é com essa que tenho que aprender a lidar… Apenas lidar pra conviver, pois o que quero pra mim é diferente. Não quero viver pra deixar o chuveiro pifado estragar meu fim de semana ou pra gritar com que estiver ao meu lado por conta da geladeira quebrada.
Vou levando, tentando… E no mais, quando tudo aperta demais, fixo o pensamento naquele olhar que me traga paz e na certeza que as coisas podem ser diferentes.
E já são! As palavras da amiga Meleca me tocam: “Amizade que é verdadeira releva muitas coisas”. Disse fazendo referência a mim e a ela em situações distintas que vivemos.
Qualquer é o lugar pra brotar ensinamentos.
No lotação (aquela latinha com rodas que dizem ser transporte público) um senhor de aparência e vocabulário simples, contava à passageira ao lado sobre desenrolar do atropelamento que sofreu. Em nenhum momento pareceu abatido enquanto explicava que o carro era importado e era dirigido pelo mecânico da oficina onde a dona do veículo deixara para conserto.
O advogado quis processar o mecânico. O senhor Modesto não concordou: "Deixe pra lá, pois o tal não tem onde cair morto". Então o advogado pensou em processar a dona do veículo, e o senhor Modesto discordou novamente: "A pobre mulher nem sabia o que tava acontecendo… Pensava que o carro tava na oficina."
Quantas e quantas questões revoltantes essa história pode levantar!?
Pois bem, o senhor Modesto, com sua aparência, vocabulário e vida simples, sorrindo como sempre, disse que sua perna nunca mais seria a mesma e que dinheiro nenhum poderia recuperá-la. Agradeceu por não ter gasto muito com remédios, por ter sido bem atendido em hospital público. Ainda disse que o mais importante era a ser honesto e não se desfazer das pessoas.
E depois tem gente achando que uma geladeira quebrada é o fim do mundo.
A passageira ao lado disse para o senhor Simples: "Somos tudo carne podre". Ela não entendeu nada do que ele disse, uma pena.
Há lições que fogem à escola, à educação, às explicações formuladas. E para ter acesso a essas, é bom caminhar com a mente disposta, o peito aberto, olhos e ouvidos atentos.
E uma vez me perguntaram: "Como é amar?"
Não tive resposta. Fiquei sem palavras…
Hoje eu diria: "Isso não se ensina, seu bosta"
