May 28, 2007

Confluência

categoria: Estetoscópio
enviado por Jelly Legs Anita

Há a inexplicável confluência das coisas, que me surpreende.
Foi de relance, na TV da minha irmã… E para o momento, nada seria mais fluente que começar a descobrir as idéias de Saramago.

"O homem mais sábio que conheci em toda minha vida, não sabia ler nem escrever". (disse ao receber o prêmio Nobel de Literatura em 1998)

Continuo a achar horrenda a emissora. E mais ainda agora! Não há espaço em horário nobre para coisas assim… Essas que nos trazem revelações e entendimentos. O verdadeiro nobre fica fora do horário estabelecido e isso a maioria não faz questão de saber: o grande problema da falta de qualidade dos picos de audiência.

Atento para o pensador que concedeu a entrevista e não para o meio manipulador.

January 17, 2007

Ligue os pontos

categoria: Estetoscópio
enviado por Jelly Legs Anita

Mais uma boa dica da Rê (Obrigada!)
Como ela disse, é uma doçura… que combina com o meu doce começo de ano.

* * *

Ligue os pontos

Em dias
De noites frias,
No céu da sua boca,
Minhas estrelas brilham
Numa valsa que pulsa
Em contrapontos.

E assim,
Vou ligando os pontos,
Formando imagens;
Te desenhando.

E assim,
A cada toque
De ponta de língua,
Uma nova estrela,
Na minha fogueira.

Em noites
De dias frios,
Ligo seus pontos
Pra passar as horas
Sem o seu cobertor;
Sem a brisa morna
De sua boca em mim.

Luís Vilela - Vagas horas
(publicado em 13/01/2007)

November 9, 2006

É Arte!

categoria: Estetoscópio
enviado por Jelly Legs Anita

Foi viajando que aconteceu. Um encontro de Marios!

Desenhista e poeta. Artistas que revelam sentimentos e emoções. Um pela beleza e expressividade dos desenhos. O outro pela composição harmoniosa dos versos.

Aconteceu de madrugada, no aeroporto… Aquele momento único em que leitor e poema se tornam uma coisa só. Afinal, quem lia quem? 

O diário de viagem todo ali, em versos.

Naturalmente, veio a loucura urgente de criador.  E através de sua sensível percepção, retratou de forma tão poética a ligação dos seus sentimentos com os das poesias. Chamou a criação de Recortes de Viagem.

É bela, encantadora… De encher os olhos e fazer transbordar emoção.

Vale muito a pena ver e sentir.

November 7, 2006

Cacos diários

categoria: Estetoscópio
enviado por Jelly Legs Anita

Após um longo período de férias em outro planeta, Merkurio Cavalaro volta com seus inteligentes cacos… Pipocas (apimentadas) para se comer em frente à TV (segundo descrição do próprio).

[CACOS]

September 13, 2006

Torta, difusa, confusa… real

categoria: Estetoscópio
enviado por Jelly Legs Anita

Esse limiar contínuo entre a pérola bruta e a semente plantada.
Esse início de estrada, de suor, de alma manchada.
Essas gotas do tempo, que enfeitam de sangue a tela pintada.
Esse grito abafado no escuro, no futuro, na madrugada.

Nessa poesia torta e difusa.
Nesse "além da moral", nesse "nesse além das cores".
Eu rasgo as folhas que me compõe.
Eu transformo a pedra, numa escultura fria.
Eu verso no corpo, na covardia.
Nesse "além dessa ética", nesse "além da harmonia".
Nessa poesia-poeira, arrastada no vento…

Esse cortar aflito da carne e do tempo.
Esse arder embutido, nos vales e nos seios.
Essas seringas agudas para detectar veneno.
Esse sorriso confuso, no vértice da caminhada.

Nessa diretriz aberta e obscura
Nesse "além da razão", nesse "além da fratura".
Eu canto o trecho que meu caos impõe.
Eu mudo as regras trocando a melodia.
Eu bebo na fome, na alegria.

Pedro Henrique Samoza - Palavras sobre telas abstratas
(publicado em 04/03/2006)

August 30, 2006

Sad Clown

categoria: Estetoscópio
enviado por Jelly Legs Anita

    Tal qual o palhaço,
    vive também o poeta
    Dois artistas da vida
    que fazem sorrir e sonhar
    E muitas vezes, atrás do sorriso
    e dos sonhos, chora sua alma

(trecho de Palhaço, de Thais S.  Francisco)

August 15, 2006

Dia após dia

categoria: Estetoscópio
enviado por Jelly Legs Anita

Hoje eu acordei sem entender porque. Acordei por acordar. Assim sem uma razão aparente. Eu só acordei, pronto. Foi o suficiente para perceber que eu não sei o porquê desse relógio ao lado da cama, desses papéis pra assinar, dessa louça pra lavar. Hoje eu chorei sem entender o porque. Chorei só por chorar. Assim sem um motivo plausível. Eu só chorei, ponto. Quando eu choro, o meu estômago chora junto comigo. Quando eu acordo, o meu medo abre os olhos e lamenta o dia seguinte. Só me resta ir ao banheiro e vomitar a solidão embrulhada aqui dentro. O espelho sorri do meu desespero e o telefone me lembra o quanto sou necessária ao mundo lá fora. Ele toca como se dissesse: "se toca". Sim, as pessoas precisam de mim. Até às 18h00. Depois disso, meu mundo silencia e só me resta fazer uma prece para que meu sono chegue logo e dure o tempo da eternidade. Ou, pelo menos, que dure até às 8h00 da manhã do dia seguinte. É quando acordo sem entender o porque. Acordo assim só por acordar. Sem razão aparente ou motivo plausível. Só pra vomitar a solidão mais um pouco, em pausas, entre um alô e outro. Mas, calma: "é só até às 18 horas", penso comigo.

Maíra Viana - Vergonha dos Pés
(publicado em 22/06/2006)

* * *

Explicando a categoria

A idéia do nome dessa categoria veio do significado grego da palavra:

stëthos (peito)  +  skopeïn (ver; observar)  +  -io

Assim, após "observar o peito" do outro, coloco aqui textos, obras e poesias, de amigos, de jovens artistas e de desconhecidos. Obras que encontrei navegando por ai ou que me foram confiadas.

O post é resultado da observação, da identificação… do sentir e do pulsar do momento.

Observe o peito!




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